quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Uma manhã qualquer

Hoje acordei e estava preparando o café da manhã quando recebi uma ligação de uma amiga. Disse que queria conversar e eu disse que tudo bem, poderia vir, mas que teria que sair às 9. Não deu 15 minutos e ela chegou.

O que eu vi depois foi, simplesmente, o retrato de mim mesma, de certa forma. Ela é nova, vida normal de uma jovem e está num relacionamento. O problema é que ela sente as coisas excessivamente (como eu) e nem todo mundo é assim.

Eu vi uma pessoa chorando como criança porque está num relacionamento e se sente ignorada, usada, diminuída. De certa forma, ela sabe que isso faz muito mal a ela mesma, mas ama tanto o parceiro que não consegue se desvencilhar. Mesmo sabendo que merece alguém que realmente a valorize, ela não consegue se soltar, porque, de alguma forma, ela TEM NECESSIDADE DE SER AMADA, DESESPERADAMENTE, e ficar sozinha não é uma opção.

Eu faço terapia há algum tempo e sempre recomendo. É através desse trabalho conjunto, eu e psicólogo, que vamos nos conhecendo e percebendo o que estamos fazendo de errado. Eu sei qual é o meu problema, lidar com ele é um objetivo de vida diário e intermitente.

Porque não vai adiantar se eu não me conhecer. Eu sei que sou intensa demais com tudo, ansiosa, e quando amo, sou daquelas que quer fazer tudo pela pessoa, agradar até o último fio de cabelo e em troca, quero carinho e atenção. É doentio isso? É sim. Nada em excesso é bom. E o pior é saber que nem todas as pessoas do mundo são iguais e nem todo mundo obrigatoriamente tem que ter uma atitude igual a sua, expressar suas emoções da mesma forma.

Teve momentos em que não conseguir dizer o que realmente queria, porque mesmo sabendo de cor e salteado o que devemos fazer, eu estaria dizendo aquilo pra mim mesma. E nós, os que sentimos demais, sabemos que nada daquilo adianta a curto prazo. Eu mesma já tenho consciência que vou ter que lidar com a dor por algum tempo. Até que eu o esqueça, até que eu me apaixone de novo (o que não quero), terei um trabalho árduo, difícil, doloroso e solitário. Mas não há outro jeito. Seria fácil se curássemos a dor do amor como curamos um braço quebrado, ou um resfriado; eu deveria ter dito isso à ela nas diversas vezes em que ela me pediu um médico e queria se internar, como se o que ela sente fosse uma droga (o que não deixa de ser uma verdade). 

O trabalho a ser feito na auto estima é essencial. Mas sempre fica aquela idéia a martelar na minha cabeça: se eu sou tão linda e maravilhosa, porque ninguém me quer? Por que ninguém quer estar comigo, dividir momentos, trocar carinhos e ultrapassar a amizade, ser meu cúmplice? EU SEI O QUANTO SOU BOA. O que me tira a sanidade, todos os dias, é a busca por essa maldita resposta. É A NECESSIDADE DE TER CERTEZAS. E é justamente aí que perdemos a fé em tudo: no amor, na amizade, na humanidade. Em si mesmo.

Desejo, de todo o coração, que ela encontre outro sentido em sua vida, algo bom, algo saudável, algo em paz. Porque eu já desisti.



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