quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Se descobrir aos poucos

Aos 35 descobri que o meu melhor afrodisíaco é estar apaixonada. O sentimento brota de coisas, pensamentos e sentimentos em comum, e descobrir que a afinidade existe para as coisas carnais é como ganhar na loteria.

É claro que sempre existe o medo, afinal ele está à espreita sempre que me deparo com algo novo; não ficava tranquila enquanto pensava: “como será o toque dessas mãos infantis, tão talentosas, tão valiosas?”, ou então “eu desejo saber o gosto dessa boca mais que tudo, ela que me diz coisas tão sensíveis, que me dá tanto prazer quando ri, e que pode me arrebatar ou me repelir", "ó destino, que seja macia e quente, e me faça perder os sentidos...”. Era esse o caminho dos meus pensamentos, e continuo pensando. Porém, com menos receio, afinal, graças ao destino (e minha obstinação), tive a sorte de o provar.

E quando coisas assim acontecem, você muda quem você era e se transforma em outra pessoa. Acontecem coisas que vão além de atitudes e suas implicações, que é difícil definir em palavras, é difícil organizar as idéias, é difícil ser racional.

Se aos 35 descobri esse afrodisíaco, aos 36 só tenho um desejo: que eu consiga algum dia desassociar uma coisa da outra, pra poder transar sem culpa, ou não amar com tanto fogo.



Nenhum comentário: